Agildo Ribeiro


Agildo Ribeiro - 1953

 

Agildo Ribeiro - 2004

   


I

Nascido no Rio de Janeiro, em 24 de abril de 1932, o ator comediante e humorista Agildo Dantas da Gama Barata Ribeiro Filho, já completou 50 anos ininterruptos de sua brilhante carreira, precocemente despertada quando ainda adolescente, interno do Colégio Militar, onde já se exercitava, como o "palhaço da turma".
Passou sua infância sofrendo as agruras e descriminações dos rancorosos adeptos da ditadura de Vargas e anti-comunistas de plantão. Seu pai era um revolucionário da década de 1930, posteriormente dirigente do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (1935/1957). Perseguido pela ditadura do Presidente Getúlio Vargas, o Capitão Agildo Barata, em 1932 foi para o exílio em portugal, sua Mulher, Maria Barata Ribeiro viajou em seguida, na companhia de seu filho Agildinho, com seis meses de nascido, onde permaneceram pouco mais de um ano.
Conquistada a anistia, voltaram ao Brasil, foram residir em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, onde seu pai foi comandar o Batalhão de Infantaria.
Em 1935, novamente seu pai se meteu em apuros, quando comandou o fracassado levante no quartel da Praia Vermelha.

 
II


Foi novamente preso e condenado à 15 anos de reclusão, dos quais cumpriu 10 anos, graças à queda da ditadura e a imediata anistia em 1945, ao final da segunda guerra mundial.
Foram dois anos no presídio da Frei Caneca, no Rio de Janeiro, quatro na Ilha de Fernando de Noronha, onde permaneceu incomunicável, e quatro no extinto presídio da Ilha Grande, em Angra dos Reis, cujo local, sua mãe freqüentemente o levava em suas visitas, das quais muito se divertia.
Freqüentemente os presos políticos, promoviam festas, São João, Carnaval, Natal.
Achava gozadíssimo, ver todas aqueles personagens mitológicos, revolucionários "perigosos marxistas ateus", comportarem-se como crianças, entre os quais, o Gregório Bezerra, Graciliano Ramos, seu pai Agildo Barata e muitos outros, armando Presépio com menino Jesus, vaquinha, os Reis Magos.
Nesta época era interno no Colégio Militar, descendia de militares, o que lhe assegurava este direito.
Durante as aulas, os professores enchiam-lhe a paciência, alguns que admiravam seu pai, o tratavam bem, outros o perseguiam, como o prpfessor o anticomunistas, Aryone Brasil, atingido com um tiro na bunda, no levante do quartel da Praia Vermelha, em novembro de 1935.
Venceu entretanto, todas estas barreiras, graças à sua irreverência, e ao jogo de cintura moleque, coisa que o carioca sabe fazer.